O delegado da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Rogério Gomes, afirmou que a principal linha de investigação para o assassinato do policial militar Renato Oliveira Aragão, de 32 anos, é uma motivação passional. O crime ocorreu ontem, enquanto o policial ministrava aulas de artes marciais em um projeto social do 25º Batalhão da Polícia Militar, no bairro Cristo Rei, em Várzea Grande. O suspeito, de 33 anos, foi preso em flagrante após ser imobilizado por alunos do projeto e moradores.
Segundo o delegado, o homem foi autuado em flagrante por homicídio qualificado e permaneceu em silêncio durante o interrogatório. Ao detalhar o andamento das investigações, Rogério Gomes explicou que, apesar do silêncio do suspeito, os depoimentos colhidos até o momento apontam para uma motivação relacionada a um suposto relacionamento amoroso entre a vítima e a companheira do investigado. “No seu interrogatório, o suspeito não quis dar a sua versão dos fatos, mas para que possamos ali entender a motivação e as causas, nós ouvimos várias testemunhas, entrevistamos pessoas que estavam presentes ali no momento, familiares, e tudo aponta até o momento para uma motivação passional, já que as informações indicam que a vítima estaria tendo um envolvimento amoroso com a esposa ou companheira do suspeito”, disse.
Questionado se o crime teria sido premeditado, o delegado confirmou. “Tudo indica que sim, inclusive há informações de uma das testemunhas de que ele teria procurado a vítima nesse local dias antes, e há várias informações que apontam que o suspeito estaria dando certos sinais de alerta do seu descontentamento com esse possível envolvimento amoroso da vítima com a sua esposa”, declarou.
Rogério Gomes também confirmou que existe um boletim de ocorrência registrado pelo suspeito há cerca de dois ou três meses. “Há um boletim de ocorrência, de fato, está juntado aos autos, de forma sigilosa, mas eu posso dar aqui algumas informações sobre esse boletim, registrado pelo suspeito, onde ele informa toda essa situação envolvendo a sua companheira e a vítima sobre esse suposto relacionamento amoroso. Ele informa, inclusive, aos policiais ali do batalhão, da área, pede certas providências nesse sentido, e segundo ele, esse boletim era para se resguardar como estava no próprio boletim de ocorrência. Foi juntado aos autos inquéritos, é uma peça importante para a investigação”, afirmou.
Sobre o suposto relacionamento, o delegado informou que as informações levantadas até o momento indicam que ele existiria há aproximadamente dois anos. Ainda conforme Rogério, o suspeito chegou a procurar a esposa da vítima dias antes dos disparos. “Ele fez contato com a esposa da vítima, recentemente, em dois ou três dias, isso foi confirmado aqui, inclusive, por ela, para informar, olha, o seu marido, o seu esposo, está se envolvendo com a minha mulher”, relatou.
O delegado ressaltou, no entanto, que até o momento não há informações de ameaças anteriores entre os envolvidos. Durante a entrevista, Rogério Gomes também informou que a arma apreendida será submetida à perícia e ao confronto balístico, enquanto a investigação seguirá para esclarecer todos os detalhes do caso.
Sobre a presença de crianças durante o crime, o delegado disse que essa circunstância ainda será apurada no inquérito. “Foi na frente de várias pessoas. Não temos a informação se havia crianças ali, mas pela imagem que nós temos, a gente só vê pessoas adultas. Mas tudo isso será apurado na fase do inquérito. Outras qualificadoras do crime poderão surgir”, concluiu.
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