O jovem Gabriel Dombski Welter, de 21 anos, preso preventivamente por provocar o acidente que matou um menino de 4 anos e deixou a mãe e o padrasto da criança feridos, na madrugada de ontem, em Sorriso, afirmou em interrogatório na Polícia Civil que não se recorda da velocidade em que dirigia e alegou que o veículo atingido estaria sem sinalização. O depoimento foi prestado logo após a prisão em flagrante e foram respondidas as perguntas da escrivã da Polícia Civil e ao seu advogado.
Ao relatar a dinâmica do acidente, Gabriel, que conduzia uma Land Rover, disse que seguia pela avenida Blumenau quando não conseguiu visualizar o outro automóvel. “Nessa noite eu saí de casa, fui dar uma volta. E acabei encontrando meus amigos, conversando no meio do caminho. Só que nesse caminho eu fui embora, fui para casa jantar. Eu não me lembro da velocidade em que eu estava. Não me lembro. Não me recordo. E aparentemente o carro (das vítimas) estava sem sinalização”, declarou. Em seguida, afirmou que o local era escuro e que a iluminação do próprio veículo dificultava a visibilidade. “O carro estava bem na esquina, é um lugar bem escuro. Tem uma árvore lá e foi embaixo daquela escuridão que eu não consegui enxergar. Aparentemente, o carro estava sem sinalização, eu não me lembro como ele entrou na minha frente ou como ele freou, eu só me recordo disso”.
O investigado também disse que só se recorda do momento da colisão e afirmou que tentou prestar socorro logo após o impacto. “Eu só me lembro da hora do impacto, eu desci do carro e fui prestar socorro para as vítimas. Só pensei nas vítimas”. Questionado se foi ele quem acionou o resgate, respondeu: “Eu mesmo.”
Sobre a suspeita de embriaguez, Gabriel negou ter ingerido bebida alcoólica. “Não”, respondeu ao ser perguntado se havia consumido álcool. Em relação à recusa em realizar o teste do bafômetro, afirmou não se lembrar da oferta. “A população que estava em cima de mim… eu não me lembro de ter alguém tentado fazer bafômetro em mim.”
Durante o interrogatório, o jovem relatou que foi hostilizado por pessoas que estavam no local e que isso teria dificultado a tentativa de ajudar as vítimas. “Muita gente. Eu não sabia o que fazer”, afirmou. Em outro trecho, disse: “No momento que eu cheguei para tentar ajudar… eu até tentei ajudar, só que encontrei um cara que ia me levar para um lugar onde todo mundo ia me bater, me linchar”.
Ele ainda afirmou que ligou para a namorada, estudante de medicina, para pedir orientações sobre como agir. “Minha namorada faz faculdade de medicina e eu liguei urgente para ela perguntando o que eu poderia fazer, só que todo mundo queria me linchar e mexer nas vítimas. Ninguém queria deixar as vítimas paradas para fazer o resgate. Isso me preocupou muito.”
Gabriel também disse que permaneceu no local até a chegada das equipes de emergência e que as pessoas tentavam acessar seu veículo. “Eu simplesmente peguei meu carro e fechei as portas. Todo mundo queria entrar no meu carro, ver o que eu tinha, mas não tinha nada. Não me deixaram nem pegar o meu celular dentro do carro”. Uma câmera de segurança flagrou o momento da batida.
Conforme Só Notícias já informou, ainda ontem, durante audiência de custódia, o juiz plantonista Lener Leopoldo da Silva Coelho converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva. Na decisão, o magistrado considerou haver indícios suficientes da prática dos crimes de homicídio doloso, pela morte da criança, e duas tentativas de homicídio, em relação aos pais do menino. A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil.
Nas redes sociais, a irmã do menino de 4 anos fez uma postagem emocionante com fotos e vídeos da criança.
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