Cenários que reproduzem acidentes de trânsito com vítimas presas às ferragens, hemorragias graves e situações de alto risco integram o Desafio Nacional de Salvamento Veicular e Trauma, uma das principais atividades do 2º Congresso Nacional de Emergência e Segurança Viária (Conesv), realizado no Parque Novo Mato Grosso, em Cuiabá. O evento segue até sexta-feira.
Participam dos desafios equipes dos estados de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Roraima, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Bahia, Minas Gerais, Pará, Ceará, Amapá, Rondônia, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, além do Distrito Federal. Ao todo, 46 equipes disputam as provas, sendo 23 na modalidade de salvamento veicular e 23 na modalidade de trauma.
Durante as simulações, os participantes são submetidos a cenários complexos que exigem tomada de decisão rápida e aplicação de técnicas especializadas. A proposta é fortalecer a capacidade de resposta das equipes, contribuindo para atendimentos mais eficientes e seguros.
Mais do que uma competição, as simulações funcionam como uma importante ferramenta de capacitação, permitindo que as equipes de bombeiros, socorristas e profissionais de emergência aperfeiçoem técnicas e procedimentos utilizados em ocorrências reais. “Os exercícios reproduzem situações enfrentadas diariamente nas rodovias e áreas urbanas, exigindo rapidez, precisão e trabalho integrado entre os profissionais envolvidos no resgate”, destacou o major BM Rivaldo Miranda, do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, coordenador técnico do evento.
O árbitro avaliador das provas, tenente-coronel BM Fábio Luiz Figueiras de Abreu Contreiras, do Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro, explica que as equipes são avaliadas em três pilares: atendimento médico, liderança e técnica operacional. Ao todo, são analisados cerca de 150 critérios que simulam as exigências de uma ocorrência real. “O primeiro critério é o atendimento médico, com avaliação da vítima, controle de hemorragias, mobilização de fraturas e manejo da coluna vertebral. O segundo é a liderança, observando como o comandante organiza a equipe e gerencia a cena. O terceiro é o técnico, que envolve o desencarceramento e a retirada segura da vítima do veículo”, detalhou.
Segundo ele, o treinamento é fundamental porque permite que os profissionais pratiquem decisões que precisam ser tomadas sob pressão, reduzindo falhas e aumentando a eficiência dos atendimentos quando uma emergência acontece de fato. Nas provas, as equipes precisam cumprir todas as etapas do resgate dentro dos padrões internacionais de salvamento. O tempo é um dos fatores mais importantes. A chamada “hora de ouro” estabelece que a vítima deve receber atendimento especializado e chegar ao hospital o mais rápido possível para aumentar as chances de sobrevivência.
“Desde o acionamento da ocorrência até a entrada da vítima em um centro cirúrgico, existe um tempo máximo recomendado de 60 minutos. Dentro desse período, a atuação das equipes de resgate no local do acidente deve ocorrer em até 25 minutos. Cada segundo conta”, ressaltou Contreiras.
Além da rapidez, os avaliadores observam a segurança dos procedimentos. A retirada da vítima precisa ser feita de forma cuidadosa para evitar o agravamento de lesões, especialmente na coluna cervical.
A importância desse tipo de treinamento também é destacada pelos profissionais que atuam diariamente nas rodovias. Representando uma das concessionárias de rodovias em Mato Grosso, o diretor de operações Wilson Medeiros, ressaltou que os cenários simulados são um importante treinamento para o dia a dia. “Esse tipo de salvamento exige muita precisão. Na rodovia, cada minuto faz diferença. As simulações permitem aperfeiçoar técnicas, testar equipamentos e reforçar a integração entre os profissionais envolvidos no atendimento. O objetivo é sempre aumentar as chances de sobrevivência das vítimas”, disse.
Para a major BM Raquel Rangel, do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo, os desafios práticos promovem uma troca de experiências que fortalece a capacidade de resposta das equipes. “É uma oportunidade única de integração e difusão de conhecimento. Os participantes aprendem novas técnicas, compartilham experiências e levam esse aprendizado para suas corporações, refletindo diretamente na qualidade do atendimento prestado à população”, afirmou.

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