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Padre assassinado por ‘ódio à fé’ será beatificado amanhã em Mato Grosso

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Só Notícias/Wellinton Cunha (fotos: reprodução)

A diocese de São Luiz de Cáceres reforçou o convite aos fiéis para participarem da cerimônia de beatificação do padre Nazareno Lanciotti, marcada para amanhã (13), às 9h, em Jauru (405 km a oeste de Cuiabá). O evento celebrará oficialmente o reconhecimento do martírio do sacerdote italiano que dedicou três décadas de sua vida ao trabalho missionário na região oeste de Mato Grosso e foi assassinado em 2001.

A celebração contará com uma ampla estrutura para receber peregrinos e caravanas vindos de diferentes localidades. Segundo a diocese, foram organizados estacionamentos, serviços de saúde, segurança e praça de alimentação.

A programação terá uma alteração na representação da Santa Sé. Inicialmente prevista para ser presidida pelo cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, a celebração contará com a presença do cardeal Dom João Braz de Aviz, arcebispo emérito de Brasília. A substituição ocorreu em razão de questões de saúde de Semeraro.

De acordo com informações do Vatican News, Nazareno Lanciotti nasceu em Roma, na Itália, em 1940, e foi ordenado sacerdote em 1966. Após alguns anos de ministério em sua cidade natal, conheceu a Operação Mato Grosso e chegou ao Brasil em 1971. Estabeleceu-se em Jauru, então distrito de Cáceres, onde desenvolveu intenso trabalho missionário voltado às populações mais vulneráveis.

Durante 30 anos de atuação, o sacerdote fundou a Igreja Nossa Senhora do Pilar, criou 57 comunidades eclesiais rurais, implantou um dispensário de saúde que posteriormente se transformou em hospital, além de um orfanato e da casa de repouso para idosos Coração Imaculado de Maria. Também ficou conhecido pelo combate à prostituição e ao tráfico de drogas na região de fronteira com a Bolívia.

Em 1987, ingressou no Movimento Sacerdotal Mariano, tornando-se diretor nacional da organização no Brasil. Seu trabalho pastoral, porém, passou a incomodar grupos ligados a atividades ilícitas. Na noite de 11 de fevereiro de 2001, enquanto jantava com colaboradores, foi atingido por um tiro na nuca disparado por dois homens encapuzados que invadiram sua residência. Ele morreu onze dias depois, em 22 de fevereiro, aos 61 anos.

Pelas normas da Igreja Católica, pessoas reconhecidas como mártires podem ser beatificadas sem a comprovação prévia de um milagre, como no caso de Nazareno, motivado por “ódio à fé”. Para a canonização, etapa que leva ao reconhecimento oficial da santidade e ao culto universal, é necessária a confirmação de um milagre atribuído à intercessão do beato após a beatificação.

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