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Sinop: projeto de artesanato com fibra de bananeira transforma vidas e gera renda para mulheres

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Só Notícias/Wellinton Cunha (fotos: divulgação e reprodução)

O que começou como uma iniciativa para ajudar mulheres a gerar renda dentro de casa se transformou em um projeto de empreendedorismo social que já beneficia 13 artesãs em Sinop. Criado em 2025, o instituto Mulheres de Fibra utiliza a fibra de bananeira como matéria-prima para a produção de peças artesanais sustentáveis e tem ampliado oportunidades de renda para mulheres em situação de vulnerabilidade, mães atípicas e outras que buscam independência financeira.

O grupo participou, pelo segundo ano consecutivo, da Feira Internacional de Turismo do Pantanal (FIT Pantanal), encerrada neste domingo, no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá. Convidadas pela Empaer, as artesãs levaram cerca de 100 peças para comercialização e retornaram para casa com metade do estoque vendido e faturamento de aproximadamente R$ 3 mil. “Vendemos 50% das peças que levamos. Cada artesã produziu suas próprias peças e o valor da venda fica integralmente para quem confeccionou o produto”, explica, ao Só Notícias, a vice-presidente do instituto, Elisângela Silva.

Entre os itens comercializados estavam biojoias, relógios, quadros, ímãs de geladeira, chaveiros, porta-chaves e peças de cestaria. Os preços variam entre R$ 35 e R$ 60 nas biojoias e podem chegar a R$ 250 nas peças maiores de cestaria.

Além da geração de renda, o projeto tem como diferencial o aproveitamento sustentável de um material abundante e normalmente descartado após a colheita da banana. Segundo Elisângela, cada parte da bananeira possui características próprias que permitem a criação de diferentes produtos. “A gente pega o pé da bananeira e de cada canoa retira seis tipos de fibra: filé, contrafilé, inteira, interna, externa e renda. Cada uma serve para uma finalidade diferente. As fibras externa e inteira usamos mais para a cestaria. Já as internas são utilizadas em colagens para decoração, relógios e outras peças”, detalha.

A ideia do instituto nasceu de forma espontânea. Inicialmente, um grupo de nove mulheres se reuniu apenas com o objetivo de ensinar o artesanato e criar oportunidades para outras mulheres. Com o crescimento da iniciativa e a necessidade de buscar recursos e estrutura própria, surgiu a formalização da entidade. “Na verdade, a gente não se reuniu para criar um instituto. Nós queríamos apenas ajudar outras mulheres. Quando fomos buscar recursos para ter um espaço nosso, surgiu a ideia do instituto, porque assim conseguimos alcançar mais mulheres”, conta.

Para muitas participantes, o projeto representa mais do que uma fonte de renda. É também um instrumento de acolhimento e reconstrução pessoal. A própria Elisângela, que trabalha também como diarista, afirma que sua vida mudou profundamente após ingressar na atividade. “Transformada é pouco. Quando comecei a fazer as peças, eu estava em um processo depressivo muito forte. Isso foi a minha válvula de escape, a minha salvação”, relata.

Histórias de superação se repetem entre as integrantes. Uma delas é a de Lenir Ferreira, que cuida do filho, que perdeu a visão aos seis anos após um problema de saúde. “Ela começou agora com a gente e está se saindo muito bem. Fez peças para levarmos à feira e algumas delas foram vendidas na FIT Pantanal”, disse Elisângela.

Com os resultados alcançados, o grupo já planeja novos passos ainda neste ano. Entre os objetivos estão ampliar o número de artesãs participantes, alcançar novos mercados e iniciar a exportação dos produtos. “A gente quer trazer mais mulheres que precisam e que desejam ganhar renda trabalhando de casa. Nosso sonho é exportar nossas peças para o exterior. Estamos entrando em um projeto do Sebrae que vai nos ajudar nessa ponte para comercializar fora do país. Tivemos a primeira reunião na semana passada”, afirma.

A participação na FIT Pantanal também abriu novas perspectivas de negócios. Segundo a vice-presidente, os contatos feitos durante o evento podem resultar em futuras parcerias comerciais. “Fizemos muito networking, conhecemos pessoas e acreditamos que vamos fechar grandes parcerias a partir de agora”, afirmou.

Produzido a partir de um recurso natural de baixo custo na capital do Nortão e transformado pelas mãos de mulheres que encontraram no artesanato uma oportunidade de renda e recomeço, o Mulheres de Fibra mostra como sustentabilidade, empreendedorismo feminino e inclusão social podem caminhar juntos para ofertar melhores oportunidades de vida para mulheres que precisam.

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