PUBLICIDADE

Pesquisa com participação da UFMT analisa crescimento da matrinxã nos rios Tapajós e Teles Pires

PUBLICIDADE
Redação Só Notícias (fotos: Alexsandro Fama)

Um estudo desenvolvido por pesquisadora da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), descreveu de forma detalhada o crescimento e o desenvolvimento das fases iniciais do peixe Brycon falcatus, conhecido como matrinxã, na sub-bacia do rio Tapajós, na Amazônia. A pesquisa analisou 116 exemplares, entre larvas e juvenis, com tamanhos de 4,02 a 72,83 milímetros, coletados nos rios Teles Pires e Tapajós ao longo de aproximadamente seis anos. O objetivo foi compreender como a espécie se desenvolve em ambiente natural e gerar informações que apoiem ações de conservação e manejo pesqueiro.

O trabalho foi conduzido por Fabíola Katrine Souza da Silva-Cajado, engenheira de pesca e mestra em Biodiversidade vinculada ao Centro Avançado de Pesquisa-Ação da Conservação e Recuperação Ecossistêmica da Amazônia, em colaboração com o Laboratório de Ecologia do Ictioplâncton e Pesca em Águas Interiores e o Laboratório de Ictiologia Tropical. O artigo científico resultante foi publicado no ano passado na revista internacional Neotropical Ichthyology.

Segundo a pesquisadora, a matrinxã foi escolhida por reunir importância ecológica e econômica na região. A espécie atua como dispersora de sementes, contribuindo para a regeneração das matas ciliares e para a manutenção da biodiversidade. “O Brycon falcatus é essencial para o equilíbrio dos ambientes aquáticos e florestais e tem grande valor para a pesca regional, pela qualidade da carne e pelo papel na alimentação das comunidades”.

As análises revelaram que as larvas de Brycon falcatus nascem pouco desenvolvidas e vão adquirindo, ao longo do crescimento, estruturas morfológicas e funcionais que permitem a alimentação ativa, o nado mais eficiente e maior capacidade de sobrevivência. A pigmentação é escassa nas primeiras fases, tornando-se mais intensa nas etapas seguintes. Nos juvenis, observam-se faixas escuras no corpo e manchas características, além de um número de miómeros (segmentos musculares) que varia entre 42 e 44. O estudo indica ainda que o crescimento da espécie é isométrico, ou seja, as diferentes partes do corpo crescem de forma proporcional.

Um dos resultados de destaque é a elaboração de uma chave taxonômica para identificar larvas do gênero Brycon na bacia do Tapajós. Esse tipo de instrumento auxilia outros pesquisadores e órgãos ambientais na identificação de espécies em fase inicial de vida, etapa considerada desafiadora pela semelhança morfológica entre diferentes peixes. “Conhecer as larvas e juvenis é fundamental para localizar áreas de reprodução, entender como os estoques se renovam e apoiar políticas de conservação”.
A pesquisa utilizou coletas em ambiente natural, com arrastos de ictioplâncton na coluna d’água para captura de larvas e arrastos de margem em áreas rasas para obtenção de juvenis. O material foi triado e identificado em laboratório, permitindo o acompanhamento das diferentes fases do desenvolvimento. Os dados do rio Teles Pires foram coletados entre 2016 e 2018, enquanto as amostras do médio rio Tapajós foram obtidas entre 2020 e 2023.

Para a UFOPA e a UFMT, a publicação em periódico internacional destaca a relevância da ciência produzida na Amazônia e no interior do Brasil, com base em dados obtidos diretamente na região. “Esse trabalho mostra como a colaboração entre universidades públicas pode gerar conhecimento aplicado, alinhado às necessidades de conservação dos rios amazônicos e ao uso sustentável dos recursos pesqueiros”.

Os resultados do estudo já vêm sendo levados a fóruns de gestão pesqueira, como a Câmara Setorial da Pesca em Mato Grosso, aproximando a produção científica das discussões sobre normativas, áreas de proteção e manejo. A expectativa dos pesquisadores é que as informações sobre as fases iniciais de Brycon falcatus subsidiem ações de monitoramento, definição de áreas prioritárias para conservação e medidas que contribuam para a manutenção dos estoques naturais, beneficiando a comunidade acadêmica, órgãos ambientais, pescadores e populações ribeirinhas.

Receba em seu WhatsApp informações publicadas em Só Notícias. Clique aqui.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Mais notícias
Relacionadas

PUBLICIDADE