O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, comentou a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Pivetta lamentou que a iniciativa tenha partido de outro país e afirmou que o Brasil precisa agir com mais firmeza no combate ao crime organizado.
“Lamentavelmente, precisou um país importante como os Estados Unidos da América dar essa mensagem para os nossos líderes. Nós precisamos tratar essas organizações criminosas com o rigor da lei”, afirmou.
Pivetta também criticou o avanço das facções criminosas e disse que o Estado brasileiro vem perdendo espaço para o chamado “Estado paralelo”. “Não é possível o Estado estar perdendo a luta para o Estado paralelo. Nós estamos perdendo esse jogo por falta de atitude, por falta de coragem e até por falta de seriedade”, disse.
O governo dos Estados Unidos anunciou, ontem, em comunicado do Departamento de Estado, que vai designar as facções criminosas brasileiras como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). Segundo o comunicado, a decisão terá validade a partir do dia 5 de junho e as medidas são adotadas com base na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade (Immigration and Nationality Act) e em uma ordem executiva do presidente Donald Trump. As designações como FTO entram em vigor após publicação no Federal Register.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ressaltou no comunicado que o CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. “Juntas, elas comandam milhares de membros e têm orquestrado ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis. Sua influência e suas redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, alcançando toda a nossa região e também o nosso país”, disse Rubio.
O governo brasileiro vinha tentando, nos últimos meses, evitar essa designação por avaliar que isso poderia abrir caminho para uma ação militar dos EUA no Brasil ou aplicação de sanções severas em setores econômicos e financeiros.
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