A Receita Federal, em parceria com a Polícia Federal, deflagrou hoje a Operação “Rota do Fim”, buscando combater organização criminosa infiltrada no setor da carne bovina no Estado do Acre e que estaria praticando, em aparente associação com facção do Rio de Janeiro, o tráfico ilícito de entorpecentes, bem como a lavagem de ilícitos obtidos com a prática criminosa. Foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 30 mandados de busca e apreensão nos Estados do Acre, Rondônia, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e Mato Grosso, além do bloqueio de 25 imóveis, 25 veículos, além de valores e rebanho bovino vinculado aos investigados.
A investigação iniciou a partir de um flagrante realizado em Poconé (103 km de Cuiabá), em 2022, em que foram encontrados 469 kg de cocaína divididos em 443 tabletes, além de 160 gramas de maconha, os quais estavam dissimulados em uma carga de farinha de ossos e biscoitos, com origem na cidade de Rio Branco (AC) e destino no Estado do Rio Grande do Norte.
Segundo a Receita, a investigação demonstrou a existência de uma organização criminosa que se infiltrou em toda a cadeia produtiva da carne bovina, que inclui fornecedores de insumos (gado), indústrias de processamento (frigoríficos), distribuição e comercialização de produtos e subprodutos aos seus respectivos consumidores finais, além de uma empresa especializada em leilões de gado.
As empresas do grupo investigado, além das atividades lícitas, também eram utilizadas para o transporte dos entorpecentes que se destinavam a estados da região Nordeste, para a movimentação de recursos financeiros (pagamentos e recebimentos de entorpecentes e lucros obtidos com a prática criminosa), além da lavagem de capitais. A organização criminosa movimentou, no período investigado, aproximadamente R$ 200 milhões em recursos financeiros de origem ilícita, que se misturaram a valores lícitos da cadeia econômica da carne bovina, utilizando-se das contas bancárias de interpostas pessoas, frigoríficos, empresa de leilão de gado e postos de combustíveis.
A Receita Federal informou que contribuiu com expertise na análise fiscal e patrimonial, tendo identificado a ocorrência de simulação de atividade rural e recebimento de lucros e dividendos, possivelmente fictícios, como forma de lastrear parte da movimentação financeira do grupo investigado, além do uso de interpostas pessoas, blindagem patrimonial, constituição de empresas de fachada e identificação de sinais clássicos de lavagem de dinheiro.
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