A Polícia Civil deflagrou, esta manhã, duas operações simultâneas em Sorriso para combater esquemas de fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro, falsificação documental e crimes patrimoniais de alta complexidade. As ações foram conduzidas pela Delegacia de Polícia Civil de Sorriso, por meio do Núcleo de Combate ao Estelionato e Lavagem de Dinheiro, durante a segunda fase da Operação Eidolon e a Operação Falso Mestre.
As investigações da Operação Eidolon apontaram a existência de uma associação criminosa estruturada para desviar veículos apreendidos e mantidos sob guarda da administração pública municipal. Conforme apurado, o grupo utilizava documentos falsos, fraudes cartorárias e suposta participação de agentes públicos para retirar ilegalmente motocicletas e outros veículos de pátios conveniados. Foram cumpridos cinco mandados de prisão, nove mandados de busca e apreensão, cinco bloqueios de contas bancárias, suspensão de registros empresariais, afastamento de função pública e quebra de sigilo financeiro de oito investigados, além de outras medidas cautelares autorizadas pela Justiça.
Segundo a Polícia Civil, os investigados atuavam de forma organizada, com divisão de tarefas entre servidores públicos, falsificadores, intermediadores e receptadores. O esquema consistia em identificar veículos com baixa possibilidade de recuperação pelos proprietários, especialmente motocicletas com pendências administrativas, utilizando procurações fraudulentas e documentos falsificados para obter a liberação irregular.
Durante as diligências, os policiais identificaram suspeitos com acesso privilegiado a sistemas públicos e também pessoas ligadas a procedimentos cartorários, responsáveis pela inserção de informações falsas e autenticação de documentos utilizados nas fraudes. As apurações indicaram indícios dos crimes de organização criminosa, estelionato, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos públicos e inserção de dados falsos em sistemas de informação. Conforme a polícia, entre os investigados está um guarda municipal apontado como liderança operacional do grupo criminoso, além de um juiz de paz suspeito de facilitar procedimentos cartorários utilizados para viabilizar os golpes.
Já a Operação Falso Mestre teve início após denúncia de uma vítima que afirmou ter sido enganada ao fornecer documentos pessoais sob a promessa de matrícula em um curso de Educação de Jovens e Adultos (EJA). De acordo com as investigações, o suspeito, conhecido da vítima e ex-professor, teria utilizado a relação de confiança para obter os documentos, posteriormente usados em fraudes bancárias para financiamento de veículos sem autorização da vítima.
Os investigadores identificaram financiamentos fraudulentos envolvendo veículos como um GM Cobalt e um Jeep Renegade, somando dezenas de milhares de reais em contratos bancários. As investigações também rastrearam movimentações financeiras suspeitas, destinatários dos valores obtidos ilegalmente e a atuação de pessoas responsáveis pela falsificação de documentos e regularização fraudulenta dos veículos.
Assim como na Operação Eidolon, foram encontrados indícios da participação de pessoas ligadas a cartórios, incluindo um juiz de paz suspeito de atuar nos procedimentos relacionados às procurações utilizadas no esquema. A Polícia Civil informou ainda que há indícios de atuação interestadual e possível caráter transnacional da organização criminosa investigada.
Na Operação Falso Mestre, foram cumpridos dois mandados de prisão e sete mandados de busca e apreensão. Os investigados poderão responder pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos públicos e associação criminosa.
O delegado Thiago Meira, responsável pelas investigações, destacou o apoio operacional das regionais da Polícia Civil de Sinop e Nova Mutum, além das polícias civis de Santa Catarina e Amazonas, que auxiliaram no cumprimento de mandados em outros estados.
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