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Sorriso: delegado descarta legítima defesa em morte de dentista e detalha dinâmica do crime

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Só Notícias/Kelvin Ramirez com Lucas Torres, de Sorriso (fotos: reprodução)

O delegado da Polícia Civil, Bruno França, detalhou as investigações sobre o assassinato do dentista Dyonisio Carlito Antonielo, de 43 anos (foto destaque), morto com um golpe de faca na última sexta-feira, em uma residência no bairro Bela Vista, em Sorriso. O suspeito do crime, o cabeleireiro José Valdson Silva, também de 43 anos, foi preso no dia dos fatos e confessou a autoria. Segundo o delegado, as apurações começaram após o feriado e rapidamente apontaram inconsistências na versão inicial apresentada pelo investigado.

“Esse crime ocorreu durante o feriado aí, então a única versão pública que existia era a versão daquele que tinha transferido o golpe de faca e, por óbvio, a polícia civil não aceitaria como a versão verdadeira, unicamente a versão do investigado. Nós iniciamos a investigação agora com a volta do expediente e, considerando que a vítima está morta, acho que cabe à Polícia Civil e ao Ministério Público dar a versão dela dos fatos. Quando a gente foi analisar as provas periciais, antes mesmo de entrar nesse ponto de vista testemunhal, nós já vimos que era completamente impossível que fosse verdadeira a versão trazida pelo conduzido e a versão dada informalmente pelas testemunhas na data do crime aos colegas da Polícia Militar.”

Segundo Bruno França, os elementos reunidos até o momento descartam qualquer hipótese de legítima defesa. “Nós intimamos formalmente as pessoas para serem ouvidas e nós conseguimos, até o momento, identificar, pelo menos parcialmente, o que aconteceu. Não existe, em nenhuma hipótese, uma situação de defesa nesse caso, nenhuma. A única pessoa que tem sinais claros e provados de agressão é a vítima, que foi brutalmente agredida, tem uma fratura no nariz, um afundamento ósseo no rosto, e as investigações demonstraram que, antes mesmo de desferir a facada na vítima, o agressor já havia tentado, com uma outra faca, se aproximar da vítima para matá-la.”

O delegado também descreveu a dinâmica do crime, com base nas provas colhidas. “Ele foi desarmado por uma das pessoas que estavam na casa. Posteriormente, ele aproveitou que a vítima estava sentada e desferiu socos no seu rosto, que causaram as lesões que eu citei, e aí, enquanto as demais pessoas seguravam a vítima para tentar separar a briga, pelo menos isso é o que está esclarecido até o momento, o agressor se aproveitou que a vítima estava imobilizada e conseguiu desferir uma facada, que acabou levando à morte da vítima. Existe mais uma pessoa no local do crime que havia sido omitida pelo agressor, que a Polícia civil, inclusive, está pedindo ajuda da imprensa para identificar, para que possa ser ouvida na condição de testemunha”.

Ainda conforme o delegado, o crime teria sido motivado por ciúmes, mas sem justificativa legal para a agressão. “A gente sabe que a vítima realmente ofendeu verbalmente o investigado, por um motivo de ciúmes. A vítima tinha um relacionamento com o dono da casa e ficou enciumado por essa outra pessoa estar presente no local, mas, até o momento, não existem provas de que tenha havido dolo de matar qualquer pessoa que não seja a do rapaz que está preso. Nós vamos averiguar o motivo pelo qual esse rapaz se identifica como Fernando, sendo que o nome dele é José Valdson, e nós, com a ajuda, inclusive, da família, que passou bastante informação para a gente, a família da vítima, nós descobrimos que esse rapaz participou do roubo a banco em 2004 e, desde então, vem tentando desvencilhar seu nome. Então, eu acho que, até com uma questão de respeito à vítima e à família da vítima, independentemente de a gente ter finalizado a investigação no sentido de todas as qualificadoras possíveis, de haver mais algum outro envolvido com esse dolo de ceifar da vida da vítima, essa tese de que a vítima agrediu o investigado, de que há legítima defesa, ou de que a vítima seria responsável por ter essa tragédia, ela é absurda e desrespeitosa”.

O delegado informou que as investigações continuam para esclarecer completamente o caso. “Então, a gente vem aqui, desde já, falar que a Polícia Civil já tem uma linha concreta de investigação. Agora, nós vamos investigar as semanas pretéritas dos envolvidos, telefones celulares, extrações, para que a gente consiga esclarecer por completo e trazer essa resposta para a família que está machucada”, concluiu o delegado.

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