O incêndio criminoso a um Fiat Uno ocorrido no início da madrugada do último sábado na avenida dos Pinheiros, próximo à Avenida das Itaúbas, foi compartilhado ao vivo para um grupo no Discord, plataforma de comunicação que permite aos usuários interagir usando texto, voz e vídeo, porém que também acaba sendo utilizada por cibercriminosos. Só Notícias teve acesso a ‘prints’ do grupo que mostram, além do incêndio ao veículo, a prática e o incentivo a outros crimes, como mutilação, maus-tratos a animais, zoofilia, entre outros.
A gravação mostra o exato momento em que o veículo é incendiado. Pelo menos duas pessoas aparecem participando da ação — uma menina e um menino, possivelmente menores de idade. As imagens revelam o momento em que um deles coloca uma garrafa dentro do automóvel, que estava parado na via, e ateia o fogo, que rapidamente se espalha. Conforme o boletim de ocorrência da Polícia Militar, foi encontrada a garrafa quebrada com odor de gasolina, preparada como artefato tipo coquetel molotov.
O áudio do vídeo divulgado na comunidade mostra integrantes do grupo incentivando os criminosos a gravarem o carro que estava pegando fogo. “Grava, grava, grava”, diz um.
Além do vídeo, capturas de tela mostram a conversa entre os membros, onde os participantes se referem ao incêndio ocorrido em Sinop como um “evento” e combinam a ação para ocorrer à meia-noite. Em uma das mensagens, após os fatos, um dos membros e possível autor do crime diz: “carro foi queimado perto da minha casa. Minha mãe foi no local olhar. Achou meu isqueiro e devolveu. Disse que se eu for presa, não vai me visitar e perguntou por que voltei a fazer merda”.
Ainda conforme uma pessoa que não quis se identificar à reportagem, o grupo inicialmente cogitava matar um animal, mas mudou de ideia de última hora, optando pelo incêndio do veículo.
Outras conversas do grupo revelam mais crimes. Além de integrante de Sinop, um dos membros é uma adolescente de 17 anos do Maranhão. Ela pratica maus-tratos e crueldade contra um gato, conforme as imagens. O grupo é composto por mais de 80 membros, de diversas regiões do país, que usam nomes falsos, uma prática comum utilizada por cibercriminosos.
Nas conversas nas quais Só Notícias teve acesso, um dos membros admite ser menor e que pode ir parar no “sócio”, referindo-se ao sistema socioeducativo. Em outro momento da conversa, um dos integrantes relata que “as duas são menor, não vai dar nada”, e acrescenta: “No Brasil menor não se fod…” e cita um caso de homicídio que “até hoje não deu nada”.
Ainda no final de semana, o servidor onde o crime de Sinop foi divulgado acabou caindo, porém, foi criado um novo onde foram compartilhados outros crimes, dessa vez de maus-tratos a gatos, em Goiânia, segundo uma fonte da reportagem, que informou que vem acompanhando o grupo há alguns meses e a mesma já fez mais de 10 boletins de ocorrência em São Paulo e cidades onde os crimes possivelmente ocorreram, porém a rede criminosa segue ativa. Os novos casos foram novamente denunciados neste final de semana.
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