A exposição “Casulos”, de criação artística da ceramista Cândida Ferreira, será aberta nesta quinta-feira, às 19h, no Museu de História Natural de Mato Grosso, em Cuiabá. Em cartaz até 5 de junho, a exposição apresenta um conjunto de obras inéditas que exploram formas orgânicas, texturas e processos naturais, convidando o público a perceber a estética presente em estruturas frequentemente negligenciadas no cotidiano. Com uma atmosfera imersiva, fazem ainda parte da mostra uma videoarte sobre a artista e sua obra, produzida pelo cineasta Pê Mutz, e paisagem sonora assinada por Estela Ceregatti.
A proposta, que integra o campo da ecoarte, investiga a ideia de cocriação na cerâmica, estabelecendo um diálogo entre humanos e entidades bióticas, como insetos e pássaros, que também constroem estruturas a partir de materiais naturais.
A iniciativa nasceu da pesquisa da artista com argilas selvagens, esmaltes de cinzas e a incorporação de estruturas naturais, como ninhos e casulos. Ao integrar esses elementos em suas obras, Cândida tensiona a hierarquia tradicional entre humano e natureza, reconhecendo a agência criativa de outras formas de vida e propondo uma perspectiva interespecífica no fazer artístico. Ao propor esse deslocamento de olhar, o projeto busca estimular a percepção estética das formas naturais, fomentar o debate sobre sustentabilidade e responsabilidade ambiental, além de fortalecer o diálogo entre arte contemporânea, ecologia e práticas tradicionais.
Mais do que uma exposição, “Casulos” se configura como um espaço de experiência e reflexão, com ações educativas gratuitas, entre as quais oficinas de cerâmica e ecoarte, oficina de escrita de crítica de arte, e encontros e mesas-redondas com artistas, biólogos e pesquisadores. A programação dessas atividades será divulgada em breve.
Cândida Ferreira sempre misturou a arte com sua carreira profissional como professora e pesquisadora, a ponto dessas práticas serem indissociáveis. A trajetória da ceramista, que inclui a criação, pesquisa e docência em instituições como a Universidad de los Andes e a Universidad Nacional de Colombia, enriquece a densidade conceitual do projeto. Atualmente, a artista mantém ateliê em Nossa Senhora do Livramento, onde desenvolve sua pesquisa a partir de materiais locais e relações diretas com o território.
Receba em seu WhatsApp informações publicadas em Só Notícias. Clique aqui.


