O delegado Eugênio Rudy detalhou a terceira fase da operação Codinome Fantasma, deflagrada, hoje, pela Delegacia de Combate ao Crime Organizado de Sinop (DRACO) com o objetivo de desarticular um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas. Foram cumpridos quatro mandados de prisão, buscas domiciliares, bloqueios de contas bancárias, apreensão de veículos de carga e passeio, suspensão de atividades comerciais e o sequestro de nove imóveis, somando mais de R$ 10 milhões em bens apreendidos.
Segundo o delegado, a investigação teve como foco atingir a estrutura financeira das organizações criminosas, especialmente empresas utilizadas para ocultar recursos ilícitos. “Visou, em última análise, atingir o patrimônio de empresas que trabalhavam em favor do crime organizado na lavagem do dinheiro. A Polícia Civil percebeu que era o momento de se dedicar não somente à prisão do traficante, mas especialmente dedicar-se à prisão e também identificar os bens oriundos do crime, que são esse patrimônio que eleva a capacidade financeira do crime organizado”, explicou.
Segundo o delegado, o esquema envolvia principalmente empresas do setor de transporte, utilizadas para dar aparência de legalidade ao dinheiro do tráfico. “Especialmente a área de transporte. Essas empresas recebiam valores vultosos do crime organizado, então, em um primeiro momento, a gente prendeu o traficante e, no decorrer da investigação, nós percebemos que aqueles volumosos valores que eram arrecadados pela liderança dessa facção criminosa se destinavam a algumas empresas. Foi feita uma queda de sigilo bancário, uma análise financeira e fiscal das empresas e descobrimos que essas empresas, então, estavam, por meio desses dinheiros ilícitos, aumentando o seu valor econômico de forma que, aparentemente, era uma empresa normal, comum, mas, de fato, ela estava a serviço do crime”, detalhou.
As ordens judiciais foram cumpridas em Sinop, Santa Carmem, São José dos Quatro Marcos, Várzea Grande e Cuiabá, além de cumprimento em Anápolis (GO) e Barra de São Francisco (ES). “Aqui em Sinop, nós tivemos cinco prisões, duas prisões preventivas e três prisões em flagrante por tráfico. Em Cuiabá, nós tivemos apenas um mandado de busca e apreensão e, no Espírito Santo, nós tivemos um mandado de mandado de prisão também”, ressaltou.
O delegado também confirmou a apreensão de veículos utilizados pela quadrilha. “Nós apreendemos cinco ônibus, apreendemos também duas carretas e três reboques. Apreendemos nove veículos no total, alguns dos quais estão aqui, e outros estão em Cuiabá e, oportunamente, serão trazidos para cá. Esses veículos serão objetos futuramente de um leilão. Esses valores que são oriundos do crime, eles são revertidos para a segurança pública. Isso tudo com ordem judicial. Então, a gente entendeu que esse é o momento de nós trabalharmos dessa forma, trabalhando no patrimônio das facções criminosas, pegando não só o pequenininho que está ali na ponta, vendendo a droga, mas também aquele grande traficante que é quem organiza tudo isso e, muitas vezes, não é visto pela sociedade”.
Rudy ainda ressaltou a complexidade das investigações envolvendo lavagem de dinheiro e a importância de unidades especializadas no combate a esse tipo de crime. “A lavagem de dinheiro é um crime complexo, um crime difícil de ser investigado. Infelizmente, não é toda a unidade que consegue fazer esse tipo de enfrentamento e, por essa razão, que foi criada no âmbito do Estado de Mato Grosso, a Delegacia de Repressões ao Crime Organizado, visando, especialmente, combater o fator econômico que decorre do exílio praticado pelo crime organizado”.
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