Um estudo publicado na Revista Brasileira de Climatologia detalhou que 15 municípios mato-grossenses ultrapassaram o limite máximo de exposição anual a partículas poluentes (como as provocadas por queimadas, gases de veículos, indústrias e a geração de energia), fixado em 5 microgramas por metro cúbico (ou 5 μg.m-3) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e 60 microgramas em resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA).
Realizada em parceria entre pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a pesquisa foi em Sinop, Sorriso, Colíder, Alta Floresta, Juara, Diamantino, Barra do Garças, Cáceres, Campo Novo do Parecis, Cuiabá, Juína, Rondonópolis, Tangará da Serra, Várzea Grande e Vila Rica entre 2018 e 2022. O resultado é que 23,66% dos dias foram considerados com a qualidade do ar inadequada. De modo geral, a média anual foi de 22,56 μg.m-3 de MP2,5 (partículas encontradas no ar) e a concentração mínima variou de 0,0 μg.m-3 a 1000 μg.m-3. Os valores máximos foram de 0,1 μg.m-3 a 1250 μg.m-3.
Várzea Grande (80 ± 40 μg.m-3) e Cuiabá (68,6 ± 45,6 μg.m-3) lideraram a primeira e a segunda posição, com maiores emissões de MP2,5 em todo o período. A média máxima apresentada por Rondonópolis e Sinop foi de 45,0 ± 28,9 μg.m-3 e 28,7 ± 14,5 μg.m- 3, respectivamente, ocupando com isso a terceira e quarta maior concentração de MP2,5.
Na seca, houve número considerável de queimadas e quantidade notável de fumaça.

No mesmo período de análise, dentre os municípios enfatizados, foram registradas um total de 151,7 mil internações para tratamento de doenças respiratórias e cardiovasculares, considerando o local de origem dos pacientes. Também foram contabilizados pouco mais de 6 mil óbitos associados a essas condições de saúde. Os dados sugerem que as concentrações mais elevadas de MP2,5 podem estar diretamente associadas ao aumento das ocorrências.
Quanto aos centros urbanos com os maiores índices, o relatório destacou que Várzea Grande ultrapassou os números registrados pela metrópole de Muzaffarnagar na Índia, considerada a décima quinta cidade mais poluída do mundo e com valores de 73,0 μg.m-3 (média do ano de 2022), que tem como uma das causas de poluição do ar o uso de carvão de lenha para atividades domésticas. Já a cidade mato-grossense é um polo industrial, com mais de 197 mil veículos em sua frota e o maior aeroporto do estado.
Com a chegada da pandemia de COVID-19 em 2020, houve uma redução significativa na emissão de poluentes atmosféricos em relação a 2019, especialmente nos primeiros meses, devido à diminuição das atividades industriais e à implementação de políticas de distanciamento social. Entretanto, o Brasil registrou incêndios florestais sem precedentes, especialmente no Pantanal e na Amazônia, que tiveram impactos devastadores no meio ambiente e nas comunidades locais.
Em sua conclusão, os pesquisadores enfatizaram a urgência de implementação de medidas efetivas para monitorar a qualidade do ar em Mato Grosso, considerando o crescimento econômico e populacional do estado. “É importante que as regulamentações estaduais se concentrem na análise da qualidade do ar e em como isso afeta a saúde humana, garantindo que o desenvolvimento”, “não impacte negativamente a saúde, particularmente relacionada a doenças respiratórias. A colaboração com laboratórios de pesquisa e instituições científicas de ensino pode desempenhar um papel fundamental na superação desses desafios”.
Receba em seu WhatsApp informações publicadas em Só Notícias. Clique aqui.


