A Operação Safra Desviada, desencadeada, hoje, pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público, já cumpriu a maioria das medidas judiciais em Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Colíder, Nova Ubiratã, Boa Esperança do Norte e Campo Verde, e também no Paraná, São Paulo, Pernambuco e Maranhão, segundo informou o delegado da Polícia Civil, Hércules Gonçalves, em entrevista coletiva, em Sorriso. O inquérito apura um esquema de desvio de grãos por um grupo criminoso com danos financeiros estimados em R$ 140 milhões.
O delegado classificou o caso como complexo e evitou detalhar nomes ou empresas envolvidas neste momento. “Por ora, a gente não vai entrar em detalhes, mas é um grupo também do agro contra outro grupo do agro. A investigação continua para esclarecer pontos que precisam ser esclarecidos”. “É uma investigação bastante complexa, vai levar um tempo para que ela seja encerrada, porque depende ainda de várias diligências para que ela continue”, avaliou.
O tenente-coronel da Polícia Militar, Frederico Correa, afirmou que os números ainda podem sofrer alterações à medida que o material apreendido seja analisado. “Inicialmente nós conseguimos já mensurar aproximadamente R$ 140 milhões de prejuízo e isso pode ser que venha a ser alavancada devido às investigações. Vai depender muito do que vai vir, foram diversas ordens judiciais de extração, análise de dispositivos eletrônicos e, a partir dessas análises – de documentos que nós conseguimos fazer a apreensão – iremos analisar o decorrer, vinculações, como que funcionava, como era orquestrado esse grupo criminoso”, disse.
Sobre a atuação em Sorriso, Frederico explicou que o município teve exclusivamente medidas de busca. “Em Sorriso, foram 39 ordens judiciais, todos cumprimentos de mandado de busca e apreensão, não tivemos mandados de prisão, mandados de busca e apreensão”, disse.
Durante as diligências em Sinop, foram apreendidas cinco armas de fogo, entre pistolas e revólveres e diversas munições.
O comandante da PM em Sorriso, tenente-coronel Jorge Almeida, ressaltou a integração entre as forças de segurança e o papel desempenhado pela corporação na operação. “A Polícia Militar está com mais de 100 policiais militares apoiando essa operação”. “Em níveis estratégicos, a Polícia geralmente coleta informações e troca as informações de forma integrada. Essa operação é do Gaeco, nós tivemos tão somente a parte operacional vinculada com a Polícia Militar fardada”, explicou.
Conforme Só Notícias informou, no conjunto de decisões já executadas, o Judiciário determinou uma série de providências patrimoniais e investigativas. Entre elas, estão prejuízos financeiros que atingem dezenas de investigados, além da apreensão de uma frota composta por caminhões, carretas e veículos de passeio. Mandados de busca foram cumpridos em imóveis residenciais, propriedades rurais e estabelecimentos empresariais vinculados aos alvos. Também foram impostas limitações sobre bens imobiliários e autorizadas quebras de sigilo bancário e fiscal.
A investigação envolve suspeitas de crimes como organização criminosa, furto qualificado, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, entre outros. Os indícios reunidos até o momento apontam para um suposto mecanismo estruturado de desvio de commodities agrícolas, incluindo soja, milho e algodão, com possíveis manipulações de registros internos e movimentações financeiras consideradas atípicas. A Justiça também autorizou a coleta e análise de dados armazenados em dispositivos eletrônicos e serviços em nuvem, bem como o bloqueio de contas mantidas em plataformas digitais, diante da suspeita de uso desses ambientes para circulação e ocultação de recursos.
De acordo com os investigadores, há elementos que sugerem a existência de uma engrenagem organizada em diferentes núcleos, com utilização de empresas de fachada, práticas contábeis irregulares e operações financeiras incompatíveis com as atividades declaradas.
Receba em seu WhatsApp informações publicadas em Só Notícias. Clique aqui.




