O atacante Fransérgio do Sport Sinop emitiu uma nota esclarecendo sua versão sobre uma confusão ocorrida, ontem, com alguns torcedores no estádio Gigante do Norte em partida de ida da semifinal do Mato-grossense, onde o time perdeu por 1 a 0 para o Luverdense. A confusão ocorreu em dois momentos, no intervalo e no final do jogo. As imagens rapidamente viralizaram na internet.
O experiente atleta de 35 anos, que tem longa carreira no futebol brasileiro, com passagens também por Portugal e França, chegou a tentar pular o alambrado, mas foi impedido por colegas e membros do time. A confusão só terminou após policiais militares intervirem com spray de pimenta.
Na nota, o jogador revelou que o desentendimento ocorreu após um fato que envolveu sua família, especialmente seu filho que tem autismo, por um lugar na arquibancada. (Confira a nota completa abaixo).
A diretoria do Sport Sinop também manifestou em nota sobre o ocorrido. Segundo o clube, o filho do jogador, diagnosticado com autismo, teria sido empurrado por uma torcedora e seu acompanhante nas arquibancadas, gerando um desentendimento entre a esposa do atleta e o casal.
O clube disse que “não concorda com a atitude de Fransérgio enquanto profissional, mas reconhece que sua reação teve caráter emocional e compreensível, dada a agressão sofrida por seu filho”. A nota afirma que “não houve qualquer ataque deliberado à torcida, e que o episódio se restringiu à situação envolvendo a família do atleta”
Em nota, o Sport Sinop informou que “presta total solidariedade a Fransérgio e sua família, colocando à disposição todos os recursos necessários para acompanhamento do caso, e reforça seu compromisso com respeito, inclusão e segurança nos estádios”.
Confira a nota completa do atacante:
“A confusão começou, supostamente, por um lugar na arquibancada onde estavam minha esposa e meus filhos. Uma mulher chegou, afastou os calçados de crianças — havia duas crianças ali — e simplesmente sentou. Meu filho já estava sentado quando ela chegou. Em seguida, ela segurou e empurrou as pernas do Pedro para colocar o filho dela ao seu lado.
Minha esposa questionou: “Moça, você sentou no lugar de duas crianças, tem gente aí”… Ela fingiu que nada estava acontecendo. Mesmo assim, empurrou novamente as pernas do Pedro. Minha esposa voltou a falar: “Moça, meu filho está atrás de você, você empurrou as pernas dele, e ele é uma criança autista”. Ela respondeu: “E daí que ele é autista? A culpa é sua por ele ser autista. Você está usando ele como vitimismo.”
Diante disso, essa mulher a agarrou com força, deixando marcas na mão da minha esposa, que reagiu segurando o pescoço dela e pedindo: “Me solta, você está me machucando”.
Não houve agressão ao meu filho. Minha esposa não apanhou nem bateu, apenas se defendeu.
Hoje, essa mulher deixou marcas na minha esposa, na minha filha — que chorava ao lado — e deixou marcas no meu filho. Ele não tem culpa. Como ela mesma disse: “E daí que ele é autista?” Inclusão e respeito aos limites são dever de todos.
Minha esposa procurou ajuda do senhor Presidente que resolveu a situação.
No intervalo, alguns torcedores me insultaram, ofendendo diretamente meu filho. Ao final do jogo, fui apenas buscar meu filho para ir ao vestiário com nossas famílias, mas a torcida voltou a nos insultar.
Peço desculpas em público ao estádio inteiro pelo Sport Sinop.
Mas ouvir ofensas ao meu filho com TEA é algo que não posso aceitar.
Vocês podem me criticar em campo, mas fora dele, sou pai de família e humano.
O jogo ainda não acabou. Temos mais 90 minutos para reverter a situação.
Obrigado a todos que compreenderam.
Peço respeito ao meu filho. Vocês não sabem a luta diária que enfrentamos. Não sabem.”
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