Estudo realizado no Pantanal mato-grossense trouxe evidências de que onças-pintadas, apesar de serem animais tipicamente solitários, podem apresentar interações sociais complexas que favorecem o aprendizado do bando. A pesquisa, divulgada ontem, foi conduzida em Poconé (105 km de Cuiabá), por três pesquisadores do instituto socioambiental Impacto. Eles analisaram o comportamento de vários indivíduos monitorados por armadilhas fotográficas instaladas em currais com cercas elétricas, como parte de uma estratégia para evitar ataques ao gado.
Os pesquisadores observaram que, após uma tentativa frustrada de acessar o curral e o choque sofrido por uma onça jovem, os demais animais do grupo passaram a evitar a cerca elétrica, demonstrando um comportamento de cautela aprendido coletivamente. As imagens registraram uma fêmea adulta acompanhada de dois filhotes subadultos e outro macho jovem interagindo entre si diante da estrutura, sem novas tentativas de invasão. Após a instalação dos currais eletrificados, houve uma redução de 83% nos casos de predação na área de maternidade do rebanho, e nenhum ataque ocorreu dentro das estruturas protegidas.
Conforme o artigo, além de evitar o gado, as onças passaram a caçar presas naturais, como capivaras e guaxinins, poucos dias após o insucesso diante da cerca elétrica. As câmeras também flagraram o compartilhamento de carcaças entre indivíduos aparentados, um comportamento pouco comum para a espécie. Segundo os autores, essa tolerância indica que o aprendizado sobre riscos e estratégias de caça pode ser transmitido por meio da convivência, especialmente entre animais jovens em fase de desenvolvimento.
A pesquisa destaca que o Pantanal é uma das regiões com maior índice de conflitos entre humanos e onças no Brasil, já que grande parte do território é ocupada por fazendas de pecuária extensiva. Nesse contexto, o estudo reforça que medidas simples de manejo, como o confinamento noturno de vacas prenhas e a instalação adequada de cercas elétricas, podem proteger o rebanho, reduzir prejuízos econômicos e evitar a morte de onças por retaliação.
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