PUBLICIDADE

As manifestações de 2013 e o hospital central

Caiubi Kuhn, Geólogo, Doutor cotutela em Geociência e Meio Ambiente (UNESP) e Environmental Sciences (Universidade de Tubingen), Professor da Faculdade de Engenharia da UFMT, Presidente da Federação Brasileira de Geólogos (FEBRAGEO).
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

No ano de 2013, manifestações populares tomaram as ruas do país cobrando mudanças em várias áreas. Em Cuiabá, entre os questionamentos estavam as obras do Hospital Central, que teve início em 1984, e continuava inacabada após 29 anos. A manifestação foi até a frente da obra e cobrou uma solução para o problema. Esse foi um passo importante para que a obra voltasse à pauta política.

Desde então, o Hospital Central passou a ser uma promessa de vários governadores, a começar por Pedro Taques, que prometeu concluir a obra, e depois por Mauro Mendes, que agora, em seu segundo mandato, conseguiu finalmente entregar o hospital à população, após cerca quatro décadas.

Ao contrário do hospital, outro tema muito debatido nas manifestações de 2013 seguiu um caminho bem diferente: o VLT, que acabou se tornando agora um sonho para a população de Salvador, cidade que comprou os vagões. Em Cuiabá, por outro lado, até agora nenhuma melhoria ocorreu no transporte público. Nem o VLT nem o BRT se tornaram realidade. A população continua a sofrer com um transporte público precário, enquanto bilhões de reais já foram gastos sem que nenhum modal tenha chegado ao usuário final.

O Hospital Central, por sua vez, torna-se agora um espaço presente na vida do povo mato-grossense. Nesse caso, é preciso parabenizar o Governo Mauro Mendes por esse avanço, que tem um significado maior do que a estrutura de saúde em si: representa a conclusão de algo inacabado por décadas e a colocação em funcionamento de recursos públicos que estavam parados desde dos anos oitenta, quando a obra teve início.

Por outro lado, o caso do VLT-BRT nos lembra que o problema das obras inacabadas é muito mais profundo. Todos os dias, centenas de milhares de cuiabanos e várzea-grandenses perdem horas valiosas no transporte público ou nos congestionamentos da região metropolitana. São horas que não voltarão jamais — horas que poderiam ser dedicadas ao estudo, à família ou mesmo ao descanso, mas que se perderam em razão de obras prometidas para a Copa de 2014 e que, 12 anos depois, ainda estão longe de ser concluídas.

Certa vez, conversando com colegas da área de engenharia de transportes, ouvi que, entre o VLT e o BRT, o melhor é aquele que está funcionando. Doze anos depois, não temos nenhum dos dois em operação, e isso tem um custo muito elevado, sobretudo para a população mais pobre da região metropolitana.

Da mesma forma que a mobilização pelo Hospital Central, em 2013, levantou a pauta e permitiu a conclusão da obra, precisamos continuar atentos e com a capacidade crítica aguçada para cobrar a finalização de obras como a do VLT-BRT. Em avenidas como a Fernando Corrêa, por exemplo, não há sequer sinal de retomada. O mesmo ocorre com muitas outras obras paralisadas no estado. Cobrar a correta aplicação dos recursos públicos e a entrega das obras é a melhor forma de garantir o bom uso do dinheiro do contribuinte.

COMPARTILHAR

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Mais notícias

Somos muito mais do que pensamos

Mesmo que você não queira, a vida seguirá em...

Mané coisa nenhuma 

Eram 53 minutos do segundo tempo, quando a final...

Reforma tributária: o que muda agora e porque o empresário já está pagando a conta

A chamada Reforma Tributária começou, na prática, a sair...

Dois hábitos silenciosos que sabotam o controle da glicose

O controle adequado da glicose no sangue é um...