O suspeito, de 41 anos, foi preso, ontem, no final da tarde, acusado de abusar da enteada, de 13 anos. Segundo a delegada Renata Evangelista, a mãe da adolescente compareceu à delegacia no último dia 5 e relatou que a filha havia lhe contado “que o padrasto vinha abusando dela desde os nove anos”. A vítima passou por escuta especializada de uma psicóloga na Delegacia da Mulher, Criança, Adolescente e Idoso, onde reafirmou a acusação.
De acordo com a delegada, “ela relatou de maneira muito minuciosa desde quando os abusos se iniciaram, que esse pai saía pela madrugada para ir trabalhar” “e chamava ela para tomar banho, e mexia nas partes íntimas dela, acariciava ela e beijava as partes íntimas dela”. “Ela vem descrevendo quando se deram os abusos, conseguindo delimitar isso no espaço, falar mês, ano, e ainda trouxe a informação de que nunca”, “trouxe os fatos à tona, pelo fato de ele ser muito alto e forte, bater muito nos filhos, nos irmãos, ela e mais três filhos. Ela é a enteada e são três filhos do pai e da mãe dela, são três filhos biológicos dele, e ela vem sendo criada desde os dois aninhos de idade por ele, e então ela tomou coragem de trazer os fatos para a mãe”. A delegada acrescenta que “nos últimos tempos, o que ela alega que ele fazia é que ele dava tapas na bunda e na vagina dela”. “A gente frisa que passar a mão, mesmo que seja por cima da roupa, em adolescentes com menos de 14 anos, configura estupro de vulnerável”, alertou.
Ainda segundo Evangelista, o suspeito “nega e ainda no final tenta colocar a culpa na vítima, dizendo que ela era assanhada. O relato desse tipo de agressor é sempre nesse sentido, de que ela em algum momento poderia ter agido de maneira assanhada”. “A gente representou pela prisão desse suspeito, por conta de as medidas cautelares diversas da prisão não darem conta do afastamento desse agressor, e por conta da gravidade, da audácia dele estar praticando esses abusos há tanto tempo”, afirmou.
Para combater esse tipo de crime, a delegada reforçou a necessidade de diálogo entre mães e filhos. “Quero frisar aqui é a necessidade da mãe, no caso, sempre firmar com a criança o compromisso de que dentro de casa não existe segredo, porque ele (o padrasto) sempre conseguia, por meio da autoridade que ele tem sobre essa criança, fazer com que ela ficasse com medo da compreensão física dele, pelo fato de ele ser um homem forte, e não trazia esses fatos à tona”. Ela reforçou que se deve “também não ensinar os filhos a chamar pessoas da rua de tio, porque quando você cria esse laço de chamar todo mundo de tio, fica parecendo que todo mundo é legal, todo mundo pode chegar perto de você. Tio é só quem é o irmão da sua mãe ou o irmão do seu pai, e que, teoricamente, teria uma relação de confiança maior com essa criança”, concluiu.
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