PUBLICIDADE

Tireoide: como o equilíbrio hormonal influencia a densidade dos ossos

Mariana Ramos é endocrinologista em Cuiabá
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Quando se fala em saúde óssea, é comum pensar apenas em cálcio, vitamina D ou envelhecimento. No entanto, um fator muitas vezes negligenciado desempenha papel fundamental na manutenção da densidade e da resistência dos ossos: a tireoide. Essa pequena glândula localizada no pescoço é responsável por produzir hormônios que regulam o metabolismo do corpo e, quando há desequilíbrio, os impactos vão muito além do peso e da energia, alcançando diretamente a saúde do esqueleto.

Os hormônios tireoidianos, principalmente o T3 e o T4, atuam de forma decisiva no processo de renovação óssea. O osso é um tecido vivo, que está em constante remodelação, com equilíbrio entre formação e reabsorção. Quando esse processo ocorre de maneira harmoniosa, os ossos se mantêm fortes. Porém, alterações na função da tireoide podem acelerar ou comprometer esse ciclo, aumentando o risco de perda de massa óssea e fraturas.

No hipertireoidismo, condição em que há produção excessiva de hormônios tireoidianos, o metabolismo ósseo se acelera de forma desordenada. A reabsorção do osso passa a ocorrer mais rapidamente do que a formação, levando à redução da densidade mineral óssea ao longo do tempo. Mesmo em casos subclínicos, quando os sintomas são leves ou pouco perceptíveis, esse efeito pode estar presente, especialmente quando o TSH permanece suprimido por períodos prolongados, principalmente em mulheres após a menopausa e em pessoas mais idosas.

Já no hipotireoidismo, caracterizado pela produção insuficiente de hormônios da tireoide, o impacto sobre os ossos é diferente. O metabolismo ósseo torna-se mais lento, o que pode comprometer a qualidade da renovação do tecido. Além disso, pacientes com hipotireoidismo frequentemente apresentam fadiga, dores musculares e redução da mobilidade, fatores que contribuem indiretamente para o aumento do risco de quedas e fraturas. Quando o hipotireoidismo é adequadamente tratado e os níveis hormonais são normalizados, esse risco tende a ser reduzido.

Outro ponto importante é o uso inadequado de hormônios tireoidianos. A reposição hormonal, quando bem indicada e corretamente ajustada, é segura e necessária. No entanto, doses excessivas, especialmente quando usadas para fins estéticos ou sem acompanhamento médico adequado, podem simular um quadro de hipertireoidismo com supressão persistente do TSH, acelerando a perda óssea de forma silenciosa.

A relação entre tireoide e saúde óssea torna-se ainda mais relevante em fases da vida como a menopausa, período em que a queda do estrogênio já favorece a redução da densidade óssea. Nesses casos, a associação com distúrbios da tireoide potencializa o risco de osteopenia e osteoporose, exigindo atenção redobrada.

Por isso, a avaliação da saúde da tireoide deve fazer parte do cuidado integral com os ossos, especialmente em pessoas com histórico de fraturas, perda de estatura, dores ósseas ou fatores de risco para osteoporose. Exames laboratoriais simples permitem identificar alterações hormonais precocemente, incluindo alterações discretas que muitas vezes não causam sintomas evidentes, possibilitando intervenções que ajudam a preservar a massa óssea e a qualidade de vida.

Cuidar da tireoide é, portanto, cuidar dos ossos. O equilíbrio hormonal adequado, aliado a hábitos saudáveis, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento médico, é essencial para manter a estrutura óssea forte ao longo dos anos. A prevenção e o diagnóstico precoce continuam sendo as melhores estratégias para um envelhecimento saudável e com mais autonomia.

COMPARTILHAR

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Mais notícias

Brasil à Deriva: Entre Promessas e Retrocessos

O presidente Lula chegou ao poder em 2022 prometendo...

Mude seus horários, mude sua vida

Você não está apenas reagendando o alarme do seu...

Eu sou do mundo da bola

Passei parte da minha vida correndo atrás da bola,...