A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) afirmou hoje que está acompanhando “com rigor” a situação da barragem da Usina Hidrelétrica Colíder, que passou do nível de segurança de “atenção” para “alerta” no dia 14 de agosto. A agência conveniada no estado do Mato Grosso, a AGER/MT, realizou uma fiscalização presencial nos dias 20 e 21 de agosto na usina para avaliar as ações adotadas pela concessionária quanto ao nível de segurança e o desempenho.
Segundo a Aneel, após a conclusão dessa fiscalização e posterior emissão de relatório, a autarquia avaliará as medidas cabíveis. A Agência informou que está exigindo da nova titular da usina, a Centrais Elétricas Brasileira – ELETROBRAS, ações concretas para retomada do nível de segurança para a condição normal, de modo a garantir a segurança das pessoas e das estruturas do ativo.
No âmbito do planejamento das fiscalizações do ano de 2025, a usina Colíder já havia sido selecionada para fiscalização presencial no segundo semestre, com o objetivo de avaliar seu desempenho e as condições do nível de segurança de sua barragem, além da verificar a conformidade regulatória dos instrumentos da Política Nacional de Segurança de Barragem (PNSB).
A Usina Hidrelétrica Colíder está localizada no rio Teles Pires, no norte de Mato Grosso e foi construída pela Copel entre 2011 e 2019. A operação e manutenção foi realizada pela Copel entre 2019 e maio de 2025, quando foi adquirida pela Eletrobrás.
Conforme Só Notícias já informou, a associação indígena Dace Munduruku, representante do povo originário que ocupa terras no baixo Teles Pires, publicou nota esta semana denunciando a falta de informações aos moradores da aldeia sobre o rebaixamento do reservatório da usina hidrelétrica de Colíder, iniciado há poucos dias, devido a danos no sistema de drenos. O povo munduruku vive na divisa de Paranaíta, em Mato Grosso, e Jacareacanga, no Pará.
Na nota, a associação diz que a empresa que administra a barragem de Colíder não informou para os povos indígenas que a operação iria acontecer. Ressalta ainda que o povo está “preocupado e não tem informações o suficiente”. “Nossos tracajás (cágados) estão ameaçados, nossos peixes estão morrendo, nossa água está suja. Isso atinge diretamente nossa alimentação, nossa saúde e nosso modo de vida”.
A publicação ainda exige a “participação em todas as decisões que afetem nossos territórios”, “inclusão imediata das aldeias Munduruku no plano emergencial da UHE Colíder, garantindo auxílio emergencial às comunidades que sofrem danos” e “comunicação oficial direta, diária e em linguagem acessível com as comunidades”.
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