O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) presta depoimento, esta tarde, para a juíza Selma Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, na ação penal decorrente da operação Liberdade de Extorsão, que apura crimes de cobrança de propina por parte de jornalistas do Grupo Milas de Comunicação junto a políticos e empresários em troca da não publicação de matérias que denunciassem escândalos de corrupção que foram descobertos nas fases da operação Sodoma. Réu em diversas ações penais e agora acostumado a ficar de frente à juíza Selma Arruda para confessar seus crimes, o que ocorreu em uma série de audiências durante o mês de julho, desta vez, Silval Barbosa vai ser interrogado na condição de vítima dos jornalistas Antônio Carlos Milas de Oliveira, Maycon Feitosa Milas e Max Feitosa Milas, Antônio Peres Pacheco, Haroldo Ribeiro de Assunção e Naedson Martins da Silva.
Esta será a primeira aparição pública do ex-governador desde que a delação premiada dele e de sua família e comparsas vieram à tona. Desde que saiu do Centro de Custódia da Capital, em junho, Silval está em prisão domiciliar em sua cobertura no edifício Riviera D'Itália, no bairro Jardim das Américas.
Também figuram como vítimas das extorsões outros delatores da operação Sodoma como o ex-secretário da Casa Civil Pedro Nadaf e o empresário do ramo de factoring Filinto Muller e o empresário Willians Mischur, que figura como vítima em ambos os processos.
Na semana passada, os irmãos e réus Max e Maycon Feitosa Milas tentaram prorrogar a audiência alegando que tinham que comparecer a outra audiência que tramita no Tribunal de Justiça de São Paulo. No entanto, não comprovaram que foram intimados. Diante disso, a juíza Selma Arruda não viu motivo plausível para a redesignação pois o simples fato da coincidência entre as datas das audiências não foram considerados suficientes postergar a audiência na 7ª Vara.
A Operação Liberdade de Extorsão foi deflagrada no dia 12 de março pela Delegacia Especializada de Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz) para cumprir mandados de prisão preventiva contra 4 jornalistas do Grupo Milas Comunicação, além do editor chefe do Brasil Notícias, com sede em Brasília, no Distrito Federal, Naedson Martins da Silva. Contra os réus pesam acusações de coagir ex-políticos e empresários para que pagassem valores entre R$ 100 mil e R$ 300 mil para que fossem denunciados em “matérias jornalísticas” apontando possíveis irregularidade em contratos administrativos, corrupção ativa e passiva, entre outras negociatas.


