
Conforme relato de Antônio, os dois agentes passaram a atuar em 2012, na Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz), responsável por diversas investigações contra Silval, incluindo as relativas à Operação Sodoma. O irmão do ex-governador não soube informar os nomes dos policiais, dizendo se tratarem apenas de “cabeça branca” e “cabeção”. Eles pediram a Antônio acesso ao ex-governador, que naquela época ainda comandava o Estado.
Antônio levou os dois policiais ao encontro de Silval e eles relataram ao peemedebista, segundo o irmão do ex-governador, a existência de uma investigação, no âmbito da Defaz, de precatórios. Em meados de 2013 ou 2014, ele não se recordou exatamente, um dos policiais voltou a procurar o irmão de Silval, pedindo ajuda financeira para tratamento médico. O ex-governador concordou em dar este auxílio e repassou R$ 60 mil.
No dia 15 de setembro de 2015, quando foi deflagrada a operação e expedidos mandados de prisão contra Silval e os ex-secretários Marcel Souza de Cursi e Pedro Nadaf, Antônio recebeu uma mensagem, por volta das 9 horas da manhã, de um dos agentes, dizendo que “havia alguma coisa para acontecer em relação ao Silval”. Poucas horas depois, em nova mensagem, o mesmo agente informou que a operação para prender Silval ocorreria naquele mesmo dia, a qualquer momento.
De fato, Silval seria preso naquele dia, no momento em que chegasse à Assembleia Legislativa (ALMT), onde seria ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos incentivos fiscais. Com a informação privilegiada, Silval não foi à CPI, foi considerado foragido e acabou se apresentando dois dias depois, permanecendo preso até junho deste ano. No anexo, Antônio se comprometeu a reconhecer por meio de foto os dois policiais.
A Polícia Civil informou por meio da assessoria que há um procedimento instaurado na corregedoria para apurar a existência de algum tipo de vazamento. A respeito da revelação feita por Antônio, a Polícia Civil vai aguardar uma definição por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), que homologou o acordo, para apurar as informações prestadas por ele aos procuradores.


