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Ler e escrever são obstáculos para milhares pessoas em Mato Grosso

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Cerca de 8% da população mato-grossense ou 250 mil pessoas, não sabe ler e nem escrever, 70% desses analfabetos residem na área urbana e estão na faixa etária de 15 a 60 anos. Entre os municípios mais próximos à capital, há aqueles onde o analfabetismo ultrapassa 20% da população. São casos como Acorizal, Nossa Senhora do Livramento, Jangada e Nova Brasilândia. E são justamente estes que passam a ser foco de um novo projeto educacional do Estado, o “Muxirum da Alfabetização”, que atenderá ainda Várzea Grande, Chapada dos Guimarães, Ipiranga do Norte, Planalto da Serra e Tapurah. Serão atendidas pessoas como a aposentada Maria Alice Ferreira, 70 anos, moradora do bairro Jardim Esmeralda, em Várzea Grande.

Ela não frequentou a escola no período regular. Quando criança morava com os pais e mais cinco irmãos em seringais de Manaus (AM) e desde cedo precisou ajudar os pais na extração da borracha. Casou-se aos 13 anos e logo se viu com oito filhos para cuidar e viúva. Para sustentar a família foi para a cidade, lavou roupa de terceiros até encontrar Adevar Leal, 86, com quem convive há quase 50 anos. Hoje, o casal mora em Mato Grosso e Maria Alice enfrenta dificuldades até para ir ao mercado, pois não consegue fazer uma lista de compras.

Diz que depende totalmente dos filhos e do marido. Dois netos moram próximo, as histórias que contava para eles era o que tinha memorizado. “Tentei ir para a escola depois que os meus filhos cresceram, mas uns ficavam doente eu tinha que cuidar, então não aprendi muita coisa”.

As lembranças do tempo que já passou emocionam a aposentada. Ela lamenta não ter estudo, mas diz que eram outras épocas. Mas ela fez questão que os filhos estudassem. “Para eles aprenderem e serem alguém na vida”, diz.

Com o objetivo de garantir que histórias como a dela não se repitam, a Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer (Seduc) irá investir R$ 2,5 milhões para combater o analfabetismo. O Projeto “Muxirum da Alfabetização”, dentro do programa Pró-Escola, tem a finalidade de promover ações e investimentos para melhorar a estrutura das escolas e a qualidade do ensino público do Estado.

Na primeira fase do projeto Muxirum nove municípios da Baixada Cuiabana, citados acima, com baixos índices de alfabetização serão contemplados. De acordo com o secretário-adjunto de Política Educacional da Seduc, Edinaldo de Sousa, a região do Vale do Rio Cuiabá possui 18.379 pessoas que não conseguem nem assinar o próprio nome e a meta é reduzir em até 50% a taxa de analfabetismo em dois anos de projeto. Ele revela que por ter a maior concentração de pessoas a região é que possui o maior índice de analfabetos, apesar da proximidade com a Capital.

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