quarta-feira, 4/fevereiro/2026
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Alegria e felicidade

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Fico imaginando o que pode acontecer se os brasileiros, estimulados pela Copa, voltarem a se mobilizar pelo Brasil real como fizeram na época em que foram  autores do “milagre econômico”. Naquele tempo, durante três anos, eu sou testemunha, o Brasil fez crescer seu PIB na média de 11,2% ao ano. Só para nos situarmos, neste ano o PIB pode ficar abaixo de 1%, agravado pela inatividade econômica em tempos de Copa. No início dos anos 70, o entusiasmo fez crescer. O presidente da época, Médici, quando era anunciado no Maracanã, era aplaudido, ao contrário do que acontece com a presidente de hoje. A seleção de futebol era campeã pela terceira vez, no México, e os jogadores se empenhavam pela camisa, não pelo dinheiro.

Talvez nos falte o patriotismo da época. Fico sonhando em ver, na Semana da Pátria deste ano, as bandeirinhas nos carros que vejo agora – embora poucas. Sonho em ver as ruas e lojas enfeitadas como hoje, com as cores nacionais. Pobre Brasil, as decepções resumiram o patriotismo numa equipe de futebol. Nos aleijam com excessivos impostos, a corrupção campeia, os políticos mentem e nos enrolam, e nós achamos muito bonito termos quase duas dúzias de jogadores de futebol que se enriquecem na Europa, a vir, por uns dias, jogar supostamente em defesa do país em que nasceram.

A responsabilidade não é só nossa. É da falta de educação que tivemos, em casa e na escola. Não entendemos  bem a diferença entre um país e um time de futebol – esse lucrativo ramo do show-business.  Evitar a politização para dominar as massas não é um truque novo; imperadores romanos enchiam os coliseus de gente que queria ver os gladiadores se matando. Tinha que entreter o povo acabaria para evitar fiscalização e cobrança aos governantes. Sem as luzes de casa e da escola, com o entretenimento substituindo o conhecimento, estamos no mesmo grau de cidadania que há 2 mil anos.

 Se só nos divertirmos com graça tropical, continuaremos a pagar o preço que pensamos ser gratuito. Quem é ignorante paga por isso sem saber. Quem não é, paga mesmo sem querer. E vamos em frente. Se nosso objetivo for bola na rede sem dar bola à nossa qualidade de vida no país real, a realidade do futebol pode colorir nossas vidas e nós ficamos alegres. E ficamos com a alegria que aliena, não transforma e não gera felicidade.

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